Como é que Flávio Bolsonaro consegue sair do país e ir para os EUA na surdina, sem que aparentemente nenhuma autoridade perceba? A Polícia Federal não viu nada? A Abin não sabia de nada? Nenhuma autoridade de fronteira estranhou? Como isso é possível? Foi incompetência ou teve gente facilitando as coisas por dentro? E se foi isso, estamos falando de agentes bolsonaristas infiltrados nessas instituições ou simplesmente de uma falha absurda das autoridades responsáveis?
Sinceramente, tenho medo de que Flávio consiga emplacar lá fora essa narrativa de que o Brasil vive uma ditadura e comece a se apresentar como uma espécie de presidente legítimo no exílio, com o apoio dos EUA. E me assusta pensar que a gente possa chegar ao ponto de normalizar uma figura política desse tamanho liderando um suposto governo no exílio, de fora do próprio país. Sei que o Brasil não é a Venezuela e que Lula tem muito mais força diplomática do que Maduro, mas isso não significa que a gente esteja imune a esse tipo de interferência.
E é justamente isso que me assusta. Os EUA estão ressuscitando a lógica da Doutrina Monroe, tratando a América Latina como se fosse seu quintal, e o governo Trump não tem o menor pudor em apoiar governos autoritários de direita quando isso garante seus interesses e privilégios na região. Não acho absurdo temer que tentem fazer algo parecido com o Brasil, principalmente se encontrarem setores da nossa própria política dispostos a servir de ponte para isso. Se os EUA estão dispostos a dar apoio a esse tipo de movimento aqui, até onde podem chegar no futuro? Se conseguem ajudar uma figura política desse peso a desafiar o governo brasileiro de fora do país, fico pensando no que mais poderiam tentar fazer para interferir nos rumos do Brasil. Tenho medo das consequências disso para a nossa soberania, ainda mais com a extrema direita ganhando força e esse tipo de narrativa sendo cada vez mais normalizado.
Quem garante que não existam agentes infiltrados e setores militares dispostos a colaborar em troca de poder? A história brasileira já mostrou que há setores das Forças Armadas que não têm problema em atropelar a democracia quando lhes convém.
E, sinceramente, como mulher, tenho medo da família Bolsonaro e dessa legião de fanáticos que vive numa realidade paralela. Eles já estão tratando tudo isso como se fosse uma perseguição política, legitimando a ideia de que qualquer resultado ou decisão contrária aos interesses deles é prova de ditadura.
O que mais me revolta é pensar que talvez a gente só esteja vendo o começo. Se houve falha das autoridades, alguém precisa explicar como isso aconteceu. Se houve conivência, é ainda mais grave. Porque, se isso realmente aconteceu dessa forma, é assustador pensar no que os EUA ainda podem tentar fazer dentro do nosso próprio país.