TLDR: estamos indefesos às formas modernas de agressão e explico como, proponho autoconhecimento e regulação emocional, e chamo o exército de burrão pra caralho. foi mal ae milicoboys, mas é mesmo.
Desde 2016, pelo menos, estamos sob uma forma muito sutil, e muito efetiva, de ataque a nosso país, nossa população, e nossas instituições.
Trata-se de estratégias de guerra híbrida, com um componente prevalente de guerra psicológica com o uso das redes, mídias, e estruturas sociais de grande importância e prevalência na sociedade que se utilizam do discurso como instrumento de dominação e convencimento, para atacar a nossa população e induzi-la a autodestruição. Estes ataques são coordenados, possuem intenção, organização e financiamento para serem bem sucedidos, e de fato tiveram sucesso.
Este ataque, que tem métodos bem estudados e inlcuisve nosso batalhão de operações especiais foi lá no Haiti praticar na população local o que aprendeu com os EUA (eles ensinaram pelas metades pra gente não pensar por conta própria :) ), se utiliza da psicologia de massa. Com as mídias sociais, recebe uma nova camada de individualização para alcançar em cada indivíduo o que ele tem como mais precioso, pessoalmente. Daí a centralização em família, pátria, deus - tudo coisa muito importante, pessoalmente, para a maioria da população, por motivos óbvios.
O fato é:
Nossas instituições estão ainda sob os conceitos de "ataque a nação" como um ataque físico que é praticado necessariamente por um estado estrangeiro após um "ritual de acasalamento" todo bonitinho entre os países envolvidos, que posteriormente nos autorizaria então a também fazer nossa dancinha internamente pra todo mundo concordar que "é, é guerra mesmo, explodiu as coisa tudo né :( feião" e só aí termos autorização para reagir de forma legal e legítima.
O problema é: Esse ritual não acontece. A bomba não chega. Nenhum país declara nada oficialmente. Nada pode ser rastreado de volta ao perpetrador (que pode ser um particular, não um estado), porque quem está atuando no plano material a ponto de mudar a economia, a política, e até cometendo atentados, são nossos próprios nacionais sem um vínculo palpável que o liga a um agressor cognitivo específico, que foi quem convenceu esse cidadão a atuar até contra os próprios interesses.
E aí reside um nó que nos imobiliza. Não temos reação institucional capaz de lidar com essa realidade, pela própria falta de conceito e linha de atuação contra isso. Estamos de mãos atadas, e o único órgão que oficialmente trata de guerra psicológica, que é o exército (um único batalhão, que trata genericamente de operações especiais como um todo), se mostrou ele próprio lobotomizado e incapaz de raciocínio crítico sobre o efeito de suas ações e sobre como sua organização estava profundamente vulnerável a ser vitimada por operações psicológicas (e foi). Deu no que deu: Nossas instituições atacaram nossa população com operações de guerra psicológica. É disso o que tratam vários inquéritos que foram parar lá no STF, embora ninguém tenha coragem de falar disso abertamente ou associar isso diretamente ao exército, dadas as implicações de reconhecer isso.
Daí meu pitaco sobre essa situação
Precisamos de um novo paradigma em Defesa e segurança nacional, que abranja uma linha de defesa cognitiva que entenda a população como alvo desses ataques, mas também a tenha como uma linha de defesa a ser preparada para se tornar agente de resistência contra atores maliciosos.
MAS O PORÉÉÉÉÉM: Isso só tem como dar certo se for uma libertação, e não mais uma doutrinação em favor de mais uma figura (ou instituição) messiânica. O livro branco da defesa (e nossos manuais de operações psicológicas) tem essa segunda hipótese como paradigma, e como resultado disso temos as escolas cívico militares: nossas forças armadas acham que a doutrinação de nossas juventudes para que sejam favoráveis ao militarismo é a solução para... sei lá. eles acham que precisam de uma "opinião favorável" da população, mas olha aí onde essa merda tá indo parar: toda a lore do bolsonarismo gira em volta do militarismo, do culto a autoridades, de um conceito próprio de "moral e bons valores", e olha a grande bosta que isso virou. como eu disse, lobotomizados (ou cooptados, olhem muito bem aí entre vocês quem veio com essa ideia).
De toda forma, aplicar técnicas de guerra psicológica em nossa população para serem favor ou contra o fodão do momento é uma agressão a seus direitos neurocognitivos. Nenhum Estado Democrático de Direito faria uma bosta dessas. Queremos uma população que ama ao nosso próprio grande lider? que tenha seus próprios preconceitos implantados como "defesa" a algum país? outro grandicíssimo lixo de ideia, as duas coisas.
Minha conclusão é:
- O uso de psicologia de massa como instrumento de planejamento e gestão em Defesa e segurança nacional - por uma institução que não seja o exército, eles são uma bosta nisso. O próprio conceito é incompatível com a estrutura, lógica e hierarquia castrense. É necessario uma instituição civil, de Estado, do mesmo nível de importância das atribuições e competências que hoje as forças armadas têm (no mínimo)
- O objetivo de internalizar em cada um da população, de todas as idades, classes sociais, e lugares, indistintamente:
- Como reconhecer sem barreiras seus próprios sentimentos, motivações, medos e desejos (isso é importante, porque são os alvos das operações psicológicas);
- A busca incessante pela verdade, incluindo a identificação de falácias, mentiras, meias-verdades e outros artifícios de persuasão e convencimento;
- O desengajamento para com atores maliciosos em todas as esferas, e seu isolamento pela não-interação;
- A autopercepção como membro da sociedade, de sua relação com seus ambientes, e métodos para compreender por si só sobre como seus arredores funcionam
- Os meios de engajamento em atividades prosociais (porque agir é um anseio humano natural, e isso também é cooptado por agentes maliciosos)
- Regulação das redes, sem cair no papo furado das big techs de que eles têm que ter a biometria até do nosso cu. foco nos algoritmos.
- A reformulação de todo o nosso entendimento sobre "defesa nacional" pra abranger essa puta falta de sacanagem que estão fazendo com a gente como uma ameaça real e imediata, e nos prover de meios rápidos e efetivos para lidar com eles com a urgência que exigem; e por ultimo e mais importante
- NOSSAS DEFESAS PRECISAM RESPEITAR OS DIREITOS NEUROCOGNITIVOS DAS PESSOAS, caralho, é óbvio.
fim.