Acho uma coisa que não é tão incomum de encontrar em mesas de RPG, e nem acho algo tão ruim assim, embora meio chatinho. Hoje em dia tenho bem mais ferramentas para lidar com isso e costumo ser mais firme nas minhas decisões, mas ainda assim, pode ser um inconveniente, principalmente para mestres mais novos.
Eu chamaria esse tipo de jogador de "o negociador". É o tipo que tem dificuldade de aceitar as decisões do mestre que são negativas para o seu personagem, sejam elas derivadas dos resultados de testes, sejam de complicações colocadas pelo mestre no jogo que o personagem precisa enfrentar.
Aqui, eu parto do princípio de que as falhas e as complicações são parte da diversão do RPG, e que não é possível alguém "perder" no RPG. Seria extremamente chato e sem graça seguir em uma linha reta até o objetivo, sem nenhuma complicação. Desafios, obstáculos, coisas que geram tensão narrativa e exigem rolagem dos dados... Tudo isso incrementa a história que está sendo contada e não devem ser ativamente evitadas pelos jogadores. Risco tão aí para serem tomados e consequências são parte do processo.
Por isso eu sempre fico meio incomodando quando aparece aquele ajogador que sempre tenta negociar resultados negativos pro seu personagem. Ele tenta realizar um teste para escalar uma parede e, ao falhar e o mestre declarar que o personagem dele caiu de costas no chão, a reação imediata do jogador é "Mas será que eu posso tentar um teste para me virar e tentar usar as minhas mãos para me impulsionar para cima e não ficar prostrado?" Ou então o personagem pede para investigar um ambiente, faz um teste para tentar encontrar algo escondido e falha, e ao mestre descrever que ele não nota nada fora do lugar na casa, ele começa a descrever "Mas o meu personagem não pode se agachar e começar a procurar rachaduras no chão? O teste anterior era para ver se ele notava algo fora do lugar", ou algo assim.
Tipo, você já fez o teste e obteve uma consequência. Aceite a consequência e siga a narrativa. Para que tanta aversão à falha?
Um outro caso é quando o jogador tenta fazer algo que não está exatamente nas regras, e aí o mestre topa a ação, mas descreve uma consequência ou complicação. Tipo, tava mestrando um sistema em que derrubar o adversário em combate não é algo que você pode normalmente fazer sem alguma habilidade específica, e aí uma jogadora da mesa tentou fazer isso com uma ação normal. Eu topei a manobra improvisada, mas disse que, para fazer isso sem um talento específico, a personagem dela precisaria se jogar com o corpo todo e provocaria a queda dela também, tipo um encontrão, com os dois meio que rolando no chão. E aí ela ficou um bom tempo argumentando comigo que não era isso que ela queria fazer, ela só queria derrubá-lo sem cair. E eu "sim, eu entendi, mas nessas circunstâncias, são essas as limitações que eu estou colocando para a sua manobra. É escolha sua executá-la ou não". No final ela aceitou, mas não sem antes passar um tempo argumentando com detalhes que o movimento que ela estava querendo fazer deveria ser capaz de derrubá-lo sem complicações adicionais
Como eu disse, não é nada muito grave, mas é um pouco chato, cá entre nós.
Como vocês costumam lidar com isso?